31 agosto 2016

Não se Apega, Não

Eu sei que ando meio distante, fugindo desse meu lado “escritora”, mas é que a vida andou tão complicada que acho que me perdi (um pouco mais). De repente eu não sabia mais quem eu era, o que eu gostava, o que me fazia levantar todas as manhãs, o que me motivava. Não sei se estou conseguindo explicar, mas é que é difícil colocar certas coisas em palavras. Só sei que em meio a essa bagunça eu me deparei com o livro da Isabela Freitas: Não Se Apega, Não (Eu sei que eu tinha um pé atrás com esse livro. Achava que jamais ia ler. Um “pré-conceito” bobo.). E pra minha surpresa eu adorei o livro!

Sabe aquele livro que se encaixa com o momento que você está vivendo? Foi bem assim. Acho que era um sinal de Deus. Eu estava ali na Loja Americana olhando os livros e de repente alguma coisa dentro de mim dizia que eu deveria comprar.

Uma coisa engraçada foi a minha certeza do que era Desapego quando comecei a leitura. Mas conforme eu ia avançando nas páginas a definição da palavra ficava mais clara e eu vi que não era nada do que eu pensava. E eu percebi que era algo muito mais difícil. Nessas horas a gente percebe que usa certas palavras de forma errada.

“O desapego é saber se desprender de tudo aquilo que te retém, faz mal e sufoca.”


Então eu percebi que eu preciso mudar minha vida completamente. Essa confusão em que me encontro é justamente porque não me desapeguei de nada. Ainda vivo no passado e vivo querendo que certas coisas que aconteciam lá atrás ainda se repitam nos dias de hoje, rs. Que tola. (Eu sei que as coisas mudam e as pessoas também.) Mas eu esperava que pelo menos algumas coisas podiam se repetir. Fiquei presa a sentimentos antigos, a pessoas que já se foram, a outras que se distanciaram, a vida que eu tinha sonhado quando era uma menina. Foi quando percebi que era por isso que estava sentindo um peso enorme nas costas. Agora que as coisas estão mais claras pra mim eu posso fazer uma faxina e tirar algumas coisas que não servem mais. Quero sentir a vida de forma leve, portanto vou deixar essa bagagem numa esquina qualquer. 

“O desapego é saber a hora de se despedir de coisas que não têm mais espaço na sua vida. Pode ser aquele sofá velho que habita sua sala de estar há anos, mas do qual você não se desfaz porque lembra a sua avó. Pode ser aquelas roupas que você nunca usou, mas guardou porque é egoísta demais para doá-las. Pode ser aquela panela sem alça que você ganhou de presente no seu primeiro casamento, mas não teve coragem de jogar no lixo. Pode ser aquele vidrinho de perfume que você guarda no fundo do guarda-roupa porque lembra o cheiro. Pode ser aqueles vidros de esmalte vazios que você coleciona. Pode ser memórias de pessoas que já se foram, mas que ainda prendem você ao passado. O desapego pode ser aprender a se despedir na marra, já que muitas vezes não temos escolha. O desapego é saber a hora de ir e deixar partir, e isso é essencial na vida de qualquer ser humano.



Quem dera todos soubessem a hora de levantar bandeira branca, reconhecer que acabou e transformar a reticência em ponto-final.”
                         
                                          Isabela Freitas